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Criança com CLN2: remédio incorporado ao SUS em 2022 segue sem oferta regular e sem prazo informado

Resposta rápidaA alfacerliponase, reposição enzimática para a doença rara CLN2, foi incorporada ao SUS pela Portaria SCTIE/MS 39, de abril de 2022. Quatro anos depois, segundo o Metrópoles em 7 de novembro de 2026, ainda não há oferta regular, e a reportagem não informa prazo oficial. O governo afirma que as decisões judiciais estão sendo atendidas integralmente e que Conass e Conasems discutem medidas técnicas com a pasta.
Neste artigoO que está em jogoO que dizem os atos oficiaisPor que a logística pesaO que diz o governoO que relatam as famíliasO que a família pode fazerPerguntas frequentesFontes

O que está em jogo

A pergunta das famílias é direta: se o remédio entrou no SUS em 2022, por que ele não chega pela via regular? Reportagem do Metrópoles publicada em 7 de novembro de 2026 mostra que, quatro anos depois, a alfacerliponase ainda não tem oferta regular.

O medicamento é uma terapia de reposição enzimática para a lipofuscinose ceroide neuronal tipo 2, a CLN2. A doença é rara, genética e neurodegenerativa. Na forma clássica, os primeiros sinais aparecem entre 2 e 4 anos de idade.

O que dizem os atos oficiais

Dois atos ajudam a montar a linha do tempo.

O primeiro é a Portaria SCTIE/MS 39, de 20 de abril de 2022, que tornou pública a incorporação ao SUS, com base no Relatório de Recomendação 706 da Conitec. A Afya registrou a publicação em 25 de abril daquele ano.

O segundo é a Portaria SAES 517, de 23 de junho de 2023. Ela ajustou na Tabela SUS o procedimento neurocirúrgico de implante da bomba de infusão, incluindo a CLN2. O texto reproduzido pelo Conass não traz prazo para a oferta.

Incorporar, portanto, não encerrou o caminho. Em outra incorporação publicada nesta semana, a do bezafibrato, a portaria deu até 180 dias para efetivar a oferta. Não abrimos o texto integral da portaria de 2022, então não afirmamos aqui qual prazo ela fixou.

Por que a logística pesa

O remédio tem duas exigências, descritas pelo Metrópoles. Precisa ser armazenado entre -20 °C e -80 °C. E é aplicado por infusão no sistema nervoso central, com dispositivo implantado em cirurgia.

Segundo a reportagem, o Conass informou em fim de 2024 que os estados não tinham estrutura para armazenar e infundir o medicamento.

O que diz o governo

O Ministério da Saúde afirma que a oferta regular depende de etapas ainda em curso: definir responsabilidades de compra, armazenamento e dispensação, elaborar protocolos e organizar os fluxos de atendimento. Conass e Conasems discutem com a pasta medidas técnicas para viabilizar a oferta.

Sobre quem já recebe, a posição é que os remédios fornecidos "por meio de decisões judiciais" estão sendo atendidos integralmente.

O que relatam as famílias

A reportagem cita Donatella, de 8 anos, de São Paulo, com diagnóstico aos 4 anos. Cita também Francisco, de 10 anos, do Pará, que iniciou o tratamento em 2023 e ficou cerca de dois meses sem o remédio em 2024. As famílias se mobilizam desde 2021, e o Instituto Francisquinho foi criado em junho de 2026.

O que a família pode fazer

Como orientação geral da redação, há duas frentes, e nenhuma garante resultado. A primeira é administrativa: pedir por escrito à secretaria de saúde e registrar na ouvidoria do SUS. A segunda é a orientação jurídica com a Defensoria Pública ou um advogado, levando laudo e relatório médico.

O guia sobre medicamento de alto custo no plano e no SUS explica os critérios gerais. A indicação do tratamento cabe sempre à equipe médica.

Perguntas frequentes

O que é a CLN2?

É a lipofuscinose ceroide neuronal tipo 2, doença rara, genética e neurodegenerativa causada pela deficiência da enzima TPP1. Na forma clássica, os primeiros sinais surgem entre 2 e 4 anos de idade, segundo o Metrópoles.

O remédio foi incorporado ao SUS?

Sim. A Portaria SCTIE/MS 39, de 20 de abril de 2022, tornou pública a decisão de incorporar a alfacerliponase ao SUS.

Por que ainda não há oferta regular?

O Ministério cita etapas como definir quem compra, armazena e dispensa, elaborar protocolos e organizar fluxos de atendimento. Em fim de 2024, o Conass informou que os estados não tinham estrutura para armazenamento e infusão.

Há prazo para a oferta começar?

A reportagem do Metrópoles, de 7/11/2026, não informa nenhum prazo oficial. A portaria de 2023 sobre o procedimento de implante também não traz prazo de oferta.

Quem recebe hoje recebe como?

Segundo o governo, os medicamentos fornecidos por decisão judicial estão sendo atendidos integralmente. A reportagem relata caso de criança que ficou cerca de dois meses sem o remédio em 2024.

Onde a família pode buscar orientação?

Como orientação geral da redação, a Defensoria Pública e um advogado podem orientar sobre o caso concreto. A secretaria de saúde e a ouvidoria do SUS são canais para registrar o pedido. O resultado depende de cada situação.

Fontes

Revisão jurídica: Matheus Lorenzen do Amaral, advogado (OAB/RS 90.061 e OAB/SC 74.552), Araranguá/SC.
Atualizado em 7 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.

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