Bolsa Mounjaro: liminar suspende tirzepatida manipulada a cerca de 400 pacientes de Urupês (SP)
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O que a Justiça decidiuQuem pediu e por quêQuem estava no programaPor que a tirzepatida manipulada é questionadaPerguntas frequentesFontesO que a Justiça decidiu
A Prefeitura de Urupês, no noroeste paulista, está proibida de fornecer tirzepatida manipulada aos pacientes da rede municipal. A decisão liminar é da juíza Patrícia da Conceição Santos, da Vara Única da comarca, e foi divulgada nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, pelo Diário da Região, de São José do Rio Preto.
A liminar suspende o credenciamento da farmácia Terapêutica, impede novas ordens de fornecimento e novos credenciamentos para comprar o produto manipulado. Se descumprir, o município paga multa diária de R$ 10 mil.
O programa ficou conhecido como Bolsa Mounjaro, nome comercial do remédio industrializado à base de tirzepatida.
Quem pediu e por quê
O pedido veio de um mandado de segurança das empresas Eli Lilly do Brasil e Eli Lilly and Company, fabricantes do Mounjaro. Elas afirmam ser detentoras do registro sanitário do medicamento à base de tirzepatida e sustentam que a manipulação só cabe em situações específicas, com prescrição individual.
Segundo a Lilly, o município comprou frascos padronizados de 60 mg e 63 mg. Os empenhos somam cerca de R$ 306 mil, segundo o Metrópoles. O Estado de Minas informa que o dinheiro veio de emendas parlamentares.
A juíza lembrou que, pela regulamentação da Anvisa, a preparação magistral é feita a partir de receita e para um paciente determinado. Produção sistemática ou em escala não se encaixa nisso. Ela também apontou que não havia justificativa técnica individualizada para o uso do manipulado.
Quem estava no programa
Segundo o Estado de Minas, cerca de 400 pessoas com obesidade recebiam a aplicação semanal em unidades de saúde, a maioria na fila da cirurgia bariátrica. Os critérios eram ter 40 anos ou mais, obesidade com outras doenças, seis meses de tentativas sem remédio e vulnerabilidade social ou espera pela cirurgia.
E agora, quem já usava? As reportagens não dizem o que acontece com o tratamento em curso. O que se sabe é o seguinte:
- a liminar barra a tirzepatida manipulada comprada pelo credenciamento questionado;
- ao negar reconsideração, a Justiça disse que o município pode comprar o medicamento industrializado registrado, segundo o Estado de Minas;
- a prefeitura afirma que cada paciente recebe ampola própria, prescrita por médico, e vai recorrer.
Para a prefeitura, a ação tem motivação comercial. Em nota, o município disse que "a saúde não pode ser um privilégio reservado a quem pode pagar". A Lilly chamou a decisão de importante para a segurança dos pacientes, segundo o Metrópoles.
Quem está no programa e tem dúvida sobre a continuidade deve falar com a equipe que o acompanha. Interromper ou trocar o tratamento é decisão médica.
Por que a tirzepatida manipulada é questionada
A Anvisa não proíbe toda manipulação. Ela a admite para necessidades específicas, com receita médica, como alergia a um componente da versão industrial ou dose que não existe no mercado. Isso aparece na nota sobre a interdição de uma farmácia em Florianópolis, onde fiscais acharam 23 mil frascos de tirzepatida feitos sem prescrição prévia.
Em abril de 2026, a agência anunciou a revisão das regras de manipulação de canetas, citando produção sem demanda, falhas de esterilização e insumos de origem incerta. Mais de 100 kg de insumos foram importados no segundo semestre de 2025, o bastante para cerca de 20 milhões de doses.
Para entender o que plano de saúde e SUS têm de fornecer nessa classe de remédios, veja o guia sobre medicamento de alto custo no plano e no SUS.
Este texto é informativo e não recomenda tratamento.
Perguntas frequentes
Quem pediu a suspensão?
As empresas Eli Lilly do Brasil e Eli Lilly and Company, fabricantes do Mounjaro, por meio de um mandado de segurança contra a contratação de uma farmácia de manipulação pela prefeitura.
Quem decidiu?
A juíza Patrícia da Conceição Santos, da Vara Única da comarca de Urupês, em decisão liminar, ou seja, provisória, segundo o Diário da Região.
Quantas pessoas eram atendidas?
Cerca de 400, a maioria na fila da cirurgia bariátrica, segundo o Estado de Minas. No lançamento, em fevereiro, a previsão era de cerca de 200 pacientes, segundo o Metrópoles.
Quem já usava vai continuar recebendo?
As reportagens não informam como fica o tratamento em curso. A liminar proíbe fornecer a tirzepatida manipulada comprada pelo credenciamento questionado. A prefeitura diz que vai recorrer para manter o programa.
Tirzepatida manipulada é proibida?
Não de forma geral. A Anvisa admite a manipulação com prescrição médica individual, para atender necessidade específica do paciente. O que a agência condena é a produção em larga escala, sem receita prévia, e a manipulação caseira.
Fontes
- Diário da Região - Justiça proíbe Prefeitura de Urupês de aplicar medicamento emagrecedor manipulado (05/11/2026)
- Gazeta de Rio Preto - Justiça suspende aplicação de tirzepatida manipulada em programa de Urupês (05/11/2026)
- Estado de Minas - Justiça manda suspender Bolsa Mounjaro no SUS no interior de São Paulo (05/11/2026)
- Metrópoles - Justiça suspende programa que oferece Mounjaro de graça no interior de SP (05/11/2026)
- Anvisa - Anvisa flagra irregularidades em farmácia de manipulação em Florianópolis
- Anvisa - Novas medidas de combate a irregularidades na importação e manipulação de canetas emagrecedoras (06/04/2026)
- Anvisa - Manipulação caseira de tirzepatida NÃO é segura (23/09/2026)
Atualizado em 5 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
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