Saúde na Lei
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Fila de cirurgia cardíaca no HUT, em Teresina: MP dá 15 dias para hospital dizer se houve mortes

Resposta rápidaO Ministério Público do Piauí abriu procedimento para apurar relatos de possíveis mortes de pacientes internados no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) à espera de cirurgia cardíaca de alta complexidade. O hospital tem 15 dias para informar quantos aguardam transferência e se houve mortes em 2026. A denúncia ainda será apurada, e a reportagem do GP1 não traz número de óbitos.
Neste artigoO que o Ministério Público quer saberDuas portas fechadas, segundo a denúnciaO que as regras do TFD dizemO que a família pode reunirPerguntas frequentesFontes

O que o Ministério Público quer saber

Quem tem parente internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) à espera de cirurgia do coração ganhou uma apuração formal sobre essa fila. A 29ª Promotoria de Justiça de Teresina abriu um procedimento administrativo, por portaria assinada pelo promotor Marcelo de Jesus Monteiro Araújo, informou o GP1 em 6 de novembro.

O ponto de partida são as dificuldades de pacientes que aguardam cirurgias cardíacas de alta complexidade e relatos de possíveis mortes durante a espera, ao longo de 2026. A reportagem não traz número de óbitos, e a informação ainda depende da resposta do hospital.

O HUT tem 15 dias para informar:

  • quantos pacientes aguardam transferência;
  • quais dificuldades enfrenta para conseguir vagas;
  • que providências adotou diante das negativas;
  • se houve mortes de pacientes com doença do coração em 2026 durante a espera, com o tempo de espera e a assistência prestada.

O GP1 procurou a assessoria do hospital, que não respondeu até o fechamento da matéria.

Duas portas fechadas, segundo a denúncia

A denúncia descreve dois bloqueios.

O primeiro são as transferências. As tentativas para o Hospital Getúlio Vargas e para o Hospital Universitário não teriam dado certo, com a justificativa de que certos procedimentos não podem ser feitos nessas unidades por causa da alta complexidade.

O segundo é o Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Os pedidos estariam sendo negados sob o argumento de que o Piauí já tem hospitais habilitados para cirurgia cardíaca.

Nada disso foi confirmado até aqui. São pontos da denúncia que o procedimento vai examinar.

O que as regras do TFD dizem

O TFD paga o deslocamento de quem precisa se tratar fora da cidade onde mora. A norma antiga e ainda citada é a Portaria SAS 55, de 1999. Ela permite o pagamento só quando esgotados todos os meios de tratamento no próprio município e restringe o benefício a pacientes atendidos na rede pública ou conveniada do SUS.

A Lei 15.390, de abril de 2026, leva a ajuda de custo para a Lei Orgânica da Saúde, com regra parecida: exige indicação médica em unidade do SUS, autorização do gestor municipal ou estadual e garantia de atendimento no destino. A lei só entra em vigor um ano após a publicação, feita em 16 de abril de 2026, e depende de regulamento e de disponibilidade orçamentária.

Há uma pergunta que o caso coloca: o que vale quando existe hospital habilitado, mas o paciente não consegue a vaga? A portaria e a lei lidas aqui não respondem isso diretamente. A Portaria 55 manda cada estado organizar critérios e fluxos em um Manual Estadual de TFD, documento que esta reportagem não consultou no caso do Piauí. Para saber mais sobre documentos e prazos, veja o guia do TFD.

O que a família pode reunir

Como orientação geral da redação, sem relação com o procedimento em curso, costuma ajudar ter por escrito o relatório médico com a indicação da cirurgia e a urgência, os pedidos de transferência e de TFD e as negativas recebidas, com data. Com esses papéis, a família pode procurar a Defensoria Pública, o Ministério Público ou a Ouvidoria do SUS, pelo 136, ou buscar um advogado.

Perguntas frequentes

Já está confirmado que pacientes morreram na espera?

Não. A reportagem fala em relatos de possíveis mortes ao longo de 2026, sem número. O Ministério Público pediu ao hospital que informe se elas ocorreram.

Qual é o prazo do HUT para responder?

15 dias, segundo o GP1. A reportagem não diz a partir de quando conta o prazo.

Por que os pedidos de TFD estariam sendo negados?

Segundo a denúncia, com o argumento de que o Piauí tem hospitais habilitados para cirurgia cardíaca.

A nova lei do TFD já vale?

Ainda não. A Lei 15.390 entra em vigor um ano após a publicação, feita em 16/04/2026. Ela depende de regulamento e de disponibilidade orçamentária do ente que concede a ajuda.

O que o HUT disse?

O GP1 procurou a assessoria do hospital, que não respondeu até o fechamento da matéria.

Fontes

Revisão jurídica: Matheus Lorenzen do Amaral, advogado (OAB/RS 90.061 e OAB/SC 74.552), Araranguá/SC.
Atualizado em 7 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.

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