Criança com CLN2: remédio entrou no SUS em 2022, mas famílias ainda dependem da Justiça
Neste artigo
Incorporado no papel, distante na práticaO que é a CLN2O que dizem as famíliasO que diz o Ministério da SaúdeO que a família pode fazerPerguntas frequentesFontesIncorporado no papel, distante na prática
Quatro anos e meio. Esse é o tempo desde que o SUS decidiu oferecer a alfacerliponase a crianças com CLN2, uma doença genética rara que destrói neurônios aos poucos.
A Portaria SCTIE/MS 39, de 20 de abril de 2022, incorporou o medicamento, conforme protocolo do Ministério da Saúde. Pelo Decreto 7.646/2011, citado na própria portaria, as áreas técnicas tinham até 180 dias para colocar o remédio na rede.
Segundo reportagem do Metrópoles publicada em 7 de novembro de 2026, isso não aconteceu de forma regular. Famílias contam que o caminho continua sendo a Justiça.
O que é a CLN2
A lipofuscinose ceroide neuronal tipo 2 é causada pela falta da enzima TPP1. Sem ela, resíduos se acumulam nos neurônios.
Na forma clássica, os sinais aparecem entre 2 e 4 anos, em crianças que até então se desenvolviam normalmente. Os primeiros são crises epilépticas, dificuldade de fala e alterações motoras. O remédio repõe a enzima que falta.
O que dizem as famílias
O Metrópoles ouviu pais de crianças em tratamento. Uma menina de São Paulo, hoje com 8 anos, começou a receber o remédio por decisão judicial. Segundo a mãe, foi a primeira criança com CLN2 do estado a iniciar o tratamento dessa forma.
Um menino de 10 anos do Pará recebe a medicação desde 2023. O pai relatou à reportagem que o filho ficou cerca de dois meses sem o remédio em 2024. Nesse intervalo, teve convulsões graves e perdeu habilidades.
As famílias apontam um entrave técnico: a falta de código específico do medicamento na tabela de procedimentos do SUS, o Sigtap. Sem esse código, a dispensação regular fica travada, segundo um geneticista ouvido pelo jornal.
O que diz o Ministério da Saúde
Ao Metrópoles, o ministério disse que a oferta depende de definir quem compra, armazena e dispensa, além de protocolos e fluxos de atendimento.
Há exigências que poucos hospitais cumprem. O remédio precisa ficar congelado entre -20°C e -80°C. A aplicação é feita diretamente no sistema nervoso central, por um dispositivo implantado em cirurgia.
Segundo a pasta, no fim de 2024 o Conass, que reúne os secretários estaduais, informou que os estados não tinham estrutura para armazenar e aplicar o medicamento. Conass e Conasems discutem soluções com o ministério. Sobre as ações judiciais, o governo afirma que as decisões são atendidas integralmente, sem registro de problemas ou atrasos nas entregas.
O que a família pode fazer
Remédio incorporado é obrigação do SUS, mas a família precisa provocar o sistema quando ele não chega. Três passos ajudam:
1. Peça a receita e o relatório médico com o diagnóstico e a indicação, e protocole o pedido na secretaria estadual de saúde. 2. Registre a falta na Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136 ou pelo Fala.BR, e guarde o protocolo. 3. Procure a Defensoria Pública ou o Ministério Público se a resposta não vier ou for negativa.
O guia sobre medicamento de alto custo no plano e no SUS explica como funciona a dispensação e o que levar ao pedir.
Perguntas frequentes
O que é a CLN2?
É uma doença genética rara e neurodegenerativa causada pela falta da enzima TPP1. Na forma clássica, os sinais costumam surgir entre 2 e 4 anos, com convulsões e perda de fala e movimentos.
Quando o remédio foi incorporado ao SUS?
Pela Portaria SCTIE/MS 39, de 20/4/2022. A norma dava até 180 dias para a oferta começar.
Por que ainda não há oferta regular?
O Ministério da Saúde disse ao Metrópoles que faltam definir compra, armazenamento, dispensação e fluxos. O remédio exige congelamento entre -20°C e -80°C e infusão no sistema nervoso central.
Quem tem decisão judicial está recebendo?
O ministério afirma que as decisões judiciais são cumpridas integralmente. Famílias relatam demora de secretarias e hospitais para iniciar o tratamento.
Onde buscar ajuda?
Defensoria Pública, Ministério Público e Ouvidoria do SUS (136) recebem pedidos e reclamações sobre medicamentos incorporados que não chegam ao paciente.
Fontes
- Metrópoles - CLN2: medicamento incorporado em 2022 ainda não está disponível no SUS
- Conass - Publicada a Portaria SCTIE nº 39, de 20 de abril de 2022, que incorpora a alfacerliponase para CLN2
- Conass - Publicada a Consulta Pública SCTIE nº 89 sobre a alfacerliponase para CLN2
- Governo Federal - Cadastrar manifestação na Ouvidoria-Geral do SUS (OuvSUS)
Atualizado em 8 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
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